menicare
Um companheiro de bolso para quem vive com a doença de Ménière, feito para dar a mão durante uma crise e trazer estrutura ao cuidado do dia a dia.
- função
- Designer de produto
- ano
- 2025-2026
- duração
- 3 meses
- ferramentas
- Figma · Lovable · Gemini · ChatGPT
- categoria
- Design de produto
- design
- Sam Marxz
visão geral
A doença de Ménière é imprevisível por natureza. A pessoa acorda bem de manhã e, algumas horas depois, é pega por uma vertigem forte o bastante para tornar impossível ficar de pé. Viver com essa incerteza molda tudo: a rotina, o trabalho, a confiança, até a vontade de sair de casa.
O Menicare foi desenhado como um companheiro de cuidado que continua útil nos dois cenários. Nos dias calmos ele ajuda a construir hábitos saudáveis e um histórico de saúde confiável. Nos dias ruins ele assume a frente e conduz a pessoa pela crise com o mínimo de esforço possível.
problema
As ferramentas que já existiam tratavam a doença como um problema de dados. Pediam para a pessoa preencher formulários, navegar por menus e interpretar gráficos, o que funciona bem até o momento em que mais importa. Durante uma crise, a vertigem, a náusea e a desorientação encolhem a capacidade de ler, decidir ou tocar na tela com precisão.
Entre uma crise e outra o quadro não era muito melhor. Sintomas, gatilhos, medicação e sono ficavam espalhados entre anotações e memória, então as consultas começavam de histórias incompletas e os médicos decidiam com informação parcial.
pesquisa
O projeto começou com dados quantitativos sobre a doença e entrevistas com pacientes reais. Essas conversas deram forma às personas, à arquitetura de informação e aos fluxos, mas também trouxeram o insight que reposicionou o produto inteiro: no meio de uma crise, ninguém consegue raciocinar para atravessar uma interface.
Todos os fluxos críticos foram refeitos em volta dessa restrição. Frases curtas, alvos grandes, uma pergunta por vez e o mínimo de escolhas que a situação permite.
solução
A resposta virou um app com três pilares, ligando o que acontece durante a crise ao que os médicos precisam ver depois dela.
Modo SOS: uma conversa guiada que diz o que fazer, confere se a pessoa está segura e avisa contatos de confiança, enquanto registra o episódio automaticamente.
Valor clínico a partir de dados pessoais: registros estruturados de sintomas, gatilhos, alimentação, sono e exercícios, exportados como relatórios que deixam as consultas mais precisas.
Prevenção diária: programas progressivos de equilíbrio, exercícios guiados em vídeo e sons terapêuticos que reduzem o estresse e o zumbido.
decisão principal
A escolha mais importante do projeto foi deixar o sistema conduzir o fluxo de SOS. A pessoa só responde sim ou não, de preferência por voz. Sem menus, sem leitura, sem decisões abertas. Isso tirou atrito e dependência visual exatamente onde eles custavam mais caro.
A decisão também mudou a identidade do produto. O Menicare deixou de ser um registro e virou um apoio ativo, presente nos piores minutos e não só nos relatórios que vêm depois deles.
resultado
A experiência de SOS virou o posicionamento do produto. O app hoje atua nas duas pontas da doença, prevenindo crises pelo cuidado diário e respondendo quando uma chega, e ainda transforma registros pessoais em informação que o médico consegue usar de verdade.
aprendizados
Produtos de saúde punem vaidade. Empatia, clareza e simplicidade são decisões de design com o mesmo peso de qualquer escolha visual, e desenhar para o pior momento de alguém é o jeito mais rápido de aprender isso.
